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Conheça a história das web rádios que dão voz ao paradesporto nacional

No Dia do Radialista, contamos como surgiram as transmissões dos eventos e mostramos quem faz isso acontecer
#Acessibilidade: usando fone de ouvido, Agnaldo Borcath está à beira da quadra do CT Paralímpico empunhando o microfone com a mão esquerda e segurando papéis com a direita. À sua esquerda, o microfone que capta o som da quadra.
07/11/2020

Por Comunicação CBDV
07/11/2020
São Paulo/SP

Neste sábado (7), comemora-se o Dia do Radialista. Trata-se do profissional que narra, dirige, planeja ou produz programas para o rádio, a internet e a televisão. Em suma, é a alma do projeto. No caso do esporte para deficientes visuais, esse personagem é também o responsável por levar o tipo de informação que, até pouco tempo atrás, ficava restrita a poucas pessoas. A partir da última década, as web rádios, que são as rádios transmitidas via internet, vêm reverberando o paradesporto para todo o Brasil.

Até 2011, ano em que a Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV) assumiu o calendário das cinco modalidades – futebol de 5, goalball, judô, futebol B2/B3 e powerlifting –, obter notícias dos torneios era tarefa complicada.

"Para conseguir os resultados, era preciso aguardar as pessoas da nossa cidade voltarem para ficarmos sabendo quem tinha vencido. E hoje é completamente diferente", atesta Jamiro de Oliveira, atleta de fut5 e apresentador radiofônico.

Um dos pioneiros nas transmissões foi João Moreira, o Joãozinho, que ajudou a tocar a Rádio Clube CFA, de Curitiba, paralelamente à carreira de atleta de futebol B2/B3. "A importância das web rádios é muito grande. Foi por meio delas que o paradesporto começou a ser conhecido no Brasil. Quem morava no Acre, em Belém, em Pará, não tinha notícia do que acontecia no Sul, no Centro-Oeste. Os Regionais e as competições passaram a ser divulgadas com as elas", conta.

As transmissões dos eventos normalmente são feitas em cadeia, ou seja, de maneira conjunta entre duas ou mais estações. A própria Rádio Clube CFA, por exemplo, foi ao ar ao lado da extinta Radio Universo Ceguense, de Juiz de Fora-MG. Hoje em dia, ela trabalha bastante em parceria com a ABC Web Rádio, de Salvador, e a Rádio Apadv Esportes, de São Paulo.

#Acessibilidade: João, Jamiro e o professor Marcelo Ottoline participam de transmissão usando fones de ouvido e segurando cada um seu microfone, sentados na arquibancada. Na cadeira à frente deles, Altemir Trapp utiliza um notebook.

Surge a Rádio Camisa 10

Quem acompanha os torneios organizados pela CBDV já se acostumou com a voz marcante do locutor Agnaldo Borcath anunciando a "Equipe Camisa 10" do rádio. Nascido em Curitiba, ele passou seus primeiros quatro meses de vida no hospital por conta de uma catarata congênita. As duas cirurgias não impediram que tivesse baixa visão. Formado em Direito, intercala a profissão de procurador exercida no Paraná com algumas competições de futebol B2/B3. Já a locução esportiva surgiu totalmente por acaso.

"Fui a São Paulo para participar, como atleta, de uma competição que ocorreu na mesma data da Série B de futebol de 5. O narrador convidado não pôde ir e me chamaram. Não parei mais", relembra Agnaldo, de 38 anos. "Quando adolescente, ficava à beira da quadra nas competições que aconteciam em Curitiba narrando para os meus amigos o que acontecia na quadra de fut5. Na ocasião, imitava narradores consagrados como Fiori Gigliotti, Osmar Santos, entre outros. De repente, me vejo à beira da quadra novamente, com um microfone na mão, narrando para um grande número de pessoas. É sensacional!", explica.

Foi dele, inclusive, a ideia do nome da equipe: "Durante uma transmissão do Regional Sul-Sudeste, comecei falar: 'Esta é a Equipe Camisa Dez do rádio'. Depois disso, fizemos uma chamada usando o nome e acabou pegando".

Após atuar em parceria com as web rádios já existentes, era momento de se criar uma identidade própria: a Rádio Camisa 10. A estreia estava prevista para o Regional Nordeste de Goalball deste ano, em março, mas o cancelamento das competições por conta da pandemia do novo coronavírus adiou a estreia nas quadras.

"É gratificante fazer isso chegar até as pessoas. A gente consegue estar em tempo real na casa do atleta, de cada familiar que tem um atleta na competição", comemora Cidinho Souza, que é cego total – fruto de uma infecção aos 5 anos de idade – e comanda a mesa de som e toda a coordenação técnica das transmissões. "Eu mexo bastante com equipamentos por conta da música (ele tem uma banda, onde canta e toca teclado), então, quando comecei no rádio, só peguei os conhecimentos novos e uni as duas coisas", conta o sul-mato-grossense de 42 anos.

#Acessibilidade: Cidinho e Altermir sorriem durante a transmissão do Regional Centro-Norte de Goalball 2019, usando fones e segurando cada um o seu microfone.

Serviço:

Rádio Clube CFA: LINK AQUI
Rádio Apadv Esportes: LINK AQUI
ABC Web Rádio: LINK AQUI
Rádio Camisa 10: LINK AQUI


Comunicação CBDV

Renan Cacioli

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