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Dia do cão-guia: conheça a história de Black, os 'olhos' do ala Léo Moreno

Jogador da Uniace-DF fala sobre o receio inicial de 'entregar a vida às quatro patas' e da relação com o animal
#Acessibilidade: foto de Black durante premiação da Uniace; a imagem está fechada nele, com uma medalha ao redor do pescoço, e mostra as pernas de dois atletas.
29/04/2020

Por Comunicação CBDV
29/04/2020
São Paulo/SP

Comemorado em toda a última quarta-feira do mês de abril, o Dia Internacional do Cão-Guia, celebrado em 2020 neste dia 29, é uma maneira de homenagear e destacar a importância desses animais na vida de pessoas com deficiência visual.

Quem frequenta o Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, ou competições de goalball organizadas pela Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV) em todo o Brasil já se acostumou a ver o ala/pivô Leonardo Moreno, da Uniace-DF, circulando de um lado a outro na companhia de um labrador preto. Prazer, ele se chama Black, e é os olhos do atleta há quase cinco anos.

"Tenho o Black desde 2015. No dia 17 de agosto deste ano, vai fazer cinco que estou com ele, ganhei de presente de aniversário. Ele é meu segundo cão-guia. Antes, tive o Cirus, que me guiou por 11 anos, mais ou menos", conta o jogador. Cirus era um labrador chocolate, de 42 kg, que morreu em julho de 2017. É a parte triste de uma linda história com começo, meio e fim, que agora se repete com Black.

A missão de um cão-guia começa cedo, antes mesmo do nascimento. Os institutos que treinam e preparam esses animais normalmente estudam a genética dos pais para entender a predisposição que aquela linhagem terá para doenças.

É o caso de Black, vindo do mesmo lugar de onde saiu Cirus, o Projeto Cão-Guia de Cegos (CLIQUE AQUI para visitar a página deles no Facebook). Primeiro, o animal passa pelo processo de socialização com uma família voluntária, que dá os ensinamentos básicos por cerca de um ano. Depois, volta ao canil, faz todo o treinamento e inicia o ciclo de adaptação com o usuário.

A reta final desse relacionamento entre cão-guia e dono começa quando o animal dá sinais de desgaste naturais, como problemas de visão ou locomotores. Ele, então, é aposentado, e o caminho a seguir tem três direções: o cão pode ser doado, devolvido ao projeto ou permanecer com o dono como animal de estimação. "O Cirus, tive de contar com ajuda de uma amiga para cuidar, porque ele teve problema nos olhos, tinha de pingar colírio. Mas sempre tinha contato com ele, ia visitar", diz Léo.

Cirus foi o cão-guia de Léo durante 11 anos; na imagem, ele está sentado

Do receio inicial à autonomia completa

No caso de um cão-guia de atleta, o habitat natural acaba sendo as quadras. Black participa de tudo, até mesmo das cerimônias de premiação, quando recebe medalha e tudo. Se Léo não está jogando, o relacionamento em casa é como o de um pet normal.

"Sempre que vou sair, coloco as peças de trabalho nele, que são o arreio e a guia. O arreio é onde você tem todo o controle do cão, ele sobe, desce, você percebe tudo por ali. Agora, por exemplo, estou em casa, ele fica solto, brinca no quintal, corre, fica à vontade. Às vezes, se saio para resolver alguma coisa rápida, nem o levo. Agora, quando está com os aparatos de trabalho, aí sim, ele fica totalmente quieto. Se eu colocá-lo sentado na porta de casa e mandar ele ficar, enquanto não chamá-lo, ele não sai dali", explica o jogador de 35 anos.

"O que me motivou a ter um cão-guia foi o início do projeto aqui em Brasília. Vendo o pessoal utilizar, foi me dando aquela curiosidade. Mas ao mesmo tempo pensava 'rapaz, como vou entregar minha vida a ele?', porque, queira ou não, a gente entrega nossa vida para as quatro patas, né? (risos)", brinca o ala/pivô, que considera o cão-guia mais completo em relação à bengala.

"O cão-guia me traz grande autonomia de mobilidade, segurança. A bengala é um modo de rastreio baixo. Faz muito tempo que não sei o que é bater a cabeça, o rosto, trombar com o ombro. O cão-guia é preparado para te tirar de todos esses tipos de obstáculos. Além disso, com a bengala, por mais que você tenha a orientação, se você anda muito no shopping, por exemplo, daqui a pouco esquece o lado que pegou a saída. Já o cão, não, vou direcionando, pedindo 'pra fora, pra fora', até ele achar a saída", diz.

Léo está deitado no chão com as mãos sobre Black, também deitado de lado

Não distraia o cão-guia!

Dado o instinto natural de quem ama animais, ao ver um cão-guia, a primeira reação é interagir. Trata-se de um erro que pode colocar em risco a segurança do deficiente visual. Confira os equívocos mais comuns:

- passar a mão: isso pode distrair o animal e desorientá-lo;

- oferecer comida e bebida: enquanto ele estiver com o arreio, a missão do cão é única e exclusivamente guiar seu dono, que é o responsável por alimentar o animal nos momentos corretos;

- tocar na guia para "ajudar" na locomoção: em vez de ajudar, isso só irá atrapalhar a ação do cão. Lembre-se, ele é treinado, sabe o que fazer;


Comunicação CBDV

Renan Cacioli

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