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Futuro do fut5 brasileiro, Jardiel vive sonho paralímpico ao lado dos ídolos

Estreante em Paralimpíadas, atleta que simboliza o trabalho de transição da base aproveita dicas dos craques do time
#Acessibilidade: foto tirada de trás do gol mostra Jardiel vindo com a bola conduzida para a finalização. Foto: Alê Cabral/ CPB.
21/07/2021

Por Comunicação CBDV
21/07/2021
São Paulo/SP

Ricardinho, Jefinho e companhia viraram sinônimos de sucesso do futebol de 5 brasileiro. Expoentes de uma geração que vem enfileirando títulos há mais de uma década, eles estarão em Tóquio no mês que vem defendendo a hegemonia da modalidade em Jogos Paralímpicos. Mas uma hora a carreira deles chegará ao fim. Quando isso acontecer, caberá a uma nova leva de craques dar continuidade ao legado. E o ala Jardiel, de 23 anos, desponta como um dos líderes dessa transição.

Para isso, às vésperas de sua primeira Paralimpíada, o rapaz nascido em Pinheiro, no Maranhão, aproveita justamente a convivência diária com seus ídolos do fut5 para absorver tudo o que pode. E se diz pronto para assumir a responsabilidade em Tóquio.

"Jogar com esses caras facilita bastante até porque eles dão todo o apoio a quem está chegando. Recebi muitos conselhos do Ricardo e do Jefinho. Conheci o futebol de 5 vendo-os jogar e, agora, estar ao lado deles é especial. Mas não tira a minha responsabilidade de jogar bem também para que possa ajudar a Seleção", diz.

Desde que assumiu o comando técnico do Brasil, o ex-goleiro Fábio Vasconcelos e sua comissão vêm dando atenção especial às categorias de base. Eles sabem que, para seguir no topo, o país precisa seguir revelado novos Jefinhos e Ricardinhos. Por isso, as fases de treinamento reúnem atletas da Seleção principal com a molecada sub-23. Alguns frutos já foram colhidos. Tiago Paraná, por exemplo, rumo à sua segunda Paralimpíada, é resultado desse trabalho. Jardiel passou a ser convocado em 2015, apenas dois anos depois de iniciar no paradesporto.

#Acessibilidade: Jardiel está no meio-campo da quadra com o pé direito sobre a bola aguardando orientações de Bamba. Atrás do atleta, Cássio e Tiago Paraná esperam em fila para executar a atividade. Foto: Alê Cabral/ CPB.

"A expectativa é grande. Quando recebi a notícia de que iria para o Japão, foi uma emoção muito grande. Por ser a primeira, também, a ansiedade está lá em cima. Vou fazer cada gota de suor dos treinos valer a pena", promete o ala, que hoje defende a Apace, da Paraíba, mas foi revelado pela Escema, do Maranhão. Depois, fez sucesso no Cedemac-MA, pelo qual ganhou uma Série B (2016) e disputou três finais consecutivas da Série A (2017 a 2019).

Passado e futuro

Filho do seu Raimundo e da dona Deuzenira, Jardiel foi o terceiro dos cinco filhos do casal: Jeremias (32 anos), Jessica (28), Jayne (26) e a caçula Elayne (12). Apenas ele e Jayne nasceram com a deficiência visual, ambos devido à toxoplasmose congênita. Mas não enxergar jamais o impediu de se desenvolver como as outras crianças.

"Algumas não queriam brincar comigo, mas nunca parei ou baixei a cabeça. A maioria me aceitava. Hoje em dia, lido normalmente com a deficiência. Não me importo com o preconceito que ainda existe. Faço o máximo possível de coisas", conta. Entre elas, tocar bateria, paixão que vem da infância e acompanha o atleta mesmo nas concentrações, quando a compartilha com os colegas de Seleção – ele utiliza um software no celular que imita o som do instrumento.

Futuramente, pretende estudar Rádio e TV para trabalhar com locução. Quem sabe Jardiel não esteja daqui a alguns anos narrando as histórias das gerações que se inspirarão nele para manter o futebol de 5 brasileiro no lugar mais alto do pódio.


Comunicação CBDV

Renan Cacioli

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