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'Preparação para Tóquio depende da volta à normalidade', diz diretor do CPB

Alberto Martins, que chefiará delegação brasileira no Japão, explica como tem sido rotina no CT Paralímpico
#Acessibilidade: Lorena Spoladore e o guia Renato Ben Hur, Mateus Evangelista e Ricardo Costa e o guia Anderson Venancio utilizam aparelhos de musculação em espaço improvisado na pista de atletismo no CT Paralímpico seguindo protocolo de distanciamento. Foto: Ale Cabral/CPB.
20/08/2020

Por Comunicação CBDV
20/08/2020
São Paulo/SP

Ninguém sabe ao certo quando a vacina contra a Covid-19 estará pronta e acessível para que o mundo volte ao seu eixo normal. Desta forma, qualquer planejamento para os próximos meses passa por tal expectativa. E assim também é com a preparação da delegação que defenderá o Brasil nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, em 2021. Chefe da missão brasileira no Japão e diretor técnico do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Alberto Martins explicou como tem sido organizar o paradesporto de alto rendimento em meio a tantas incertezas.

"Toda nossa preparação vai depender de quando retornaremos a uma realidade mais próxima da normalidade. Será que em janeiro estaremos prontos? Ou fevereiro, março? Temos discutido muito no departamento de alta performance com o departamento de ciência", disse o professor, durante entrevista ao "CBDV Ao Vivo" desta quinta (20).

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"Hoje, a ciência e as comissões técnica estão se reinventando. Reinventando a periodização, os treinamentos. A psicologia, reinventando a abordagem para a preparação mental. Eu, como chefe de delegação, não posso pensar só nas modalidades CPB. Por isso será muito importante nossa conversa com os diretores técnicos das demais confederações e modalidades. A ideia é termos uma proposta de trabalho de cada", completou o dirigente.

Graças a um rígido protocolo de higienização elaborado pelo departamento médico do CPB juntamente com os profissionais da área técnica, o Centro de Treinamento Paralímpico, localizado em São Paulo, reabriu no início de julho após mais de 100 dias fechado. Porém, apenas profissionais de atletismo, natação e tênis de mesa vêm utilizando parte da estrutura e, mesmo assim, seguindo normas bem específicas.

São sempre grupos pequenos, com três a cinco pessoas por vez, que têm suas temperaturas checadas logo na chegada ao local. A circulação dentro do CT é feita em caminhos determinados, ou seja, do estacionamento ou porta de entrada até a arena do treino. E nunca um grupo tem contato com o outro. Assim, caso uma pessoa teste positivo para o coronavírus, é possível isolar apenas o grupo do qual ela fazia parte sem precisar interromper a rotina dos demais.

"Não é possível fazer o treino como era antes porque ainda não conseguimos disponibilizar todo o serviço necessário. A massoterapia, por exemplo, que é muito importante, não estamos fazendo. A própria academia não está aberta. Fizemos um outro protocolo individualizando os equipamentos. Levamos os aparelhos lá para a pista de atletismo, para o tênis de mesa e para a natação", disse Martins.

#Acessibilidade: atleta Phelipe Rodrigues passa por spray de ozônio em cabine de desinfecção no CT. Foto: Ale Cabral/CPB.

E as demais modalidades?

O diretor do CPB foi bem claro ao afirmar que outros esportes, como o futebol de 5, o goalball e o judô, geridos pela Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV), seguem sem previsão de retorno ao CT. "Desde o protocolo inicial está prevista uma segunda fase, mas não temos perspectiva ainda. A grande preocupação nossa é haver a necessidade de fechar o CT novamente. Porque se isso acontecer, para retomar depois, vai ser bem mais difícil", explica.

Assim, mesmo que Martins admita a possibilidade de um descompasso técnico em Tóquio – já que, em alguns países de fora, os eventos esportivos estão voltando aos poucos –, o foco continua sendo no bem-estar de todos. "A gente quer as medalhas em Tóquio? Sim! Mas queremos a saúde dos nossos atletas. Não podemos pensar em Tóquio como sendo a última Paralimpíada que vai existir", concluiu.

#Acessibilidade: à esquerda da foto, Alberto Martins participa de cerimônia durante o Parapan de Lima. Foto: Ale Cabral/CPB

Sobre o CBDV Ao Vivo

O "CBDV Ao Vivo" é um programa de entrevistas feito nas redes sociais da Confederação no qual convidamos atletas, treinadores e membros do movimento paralímpico. Desde a estreia, em setembro de 2019, já foram realizadas 15 edições. A partir da sétima, por conta da pandemia, os bate-papos passaram a ser feitos remotamente, e não de forma presencial. Você pode acompanhar todas as edições em nosso canal no YouTube (LINK AQUI).


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