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Primeiro torneio de goalball pós início de pandemia terá apito brasileiro

Kelly Gradwool está na Finlândia para atuar no Campeonato Europeu B, que começa nesta quinta e reúne 15 países
#Acessibilidade: Kelly é branca e tem cabelo preto amarrado em um rabo de cavalo. Ela está agachada no centro da quadra de goalball apoiando o peso do corpo na mão esquerda enquanto observa se a bola quicou dentro do quadrante. Ela veste calça e camisa pretas e segura um apito com a mão direita.
02/06/2021

Por Comunicação CBDV
02/06/2021
São Paulo/SP

A bola azul voltará a quicar oficialmente em um torneio organizado pela IBSA (sigla em inglês para Federação Internacional de Esportes para Cegos) após mais de um ano de interrupção no calendário em função da pandemia de Covid-19. Na longínqua Lathi, na Finlândia, o Campeonato Europeu B de goalball terá o apito verde-amarelo da paulista Kelly Gradwool, uma das 12 árbitras de dez nacionalidades diferentes convocada para soltar o grito de "quiet, please!" ("silêncio, por favor!") em terras estrangeiras.

"Quando recebi a notícia, eles perguntaram se eu ainda tinha disponibilidade porque fazia bastante tempo que eu tinha feito o processo, mas, por conta da pandemia, tudo ficou diferente. Eu fiquei muito feliz, na hora só queria saber como eu avisaria a minha chefe que eu estava indo para a Finlândia apitar um jogo (risos)", conta a árbitra de 31 anos, que divide o trabalho nas quadras com um emprego na área de marketing.

A competição terá início nesta quinta-feira e vai até domingo. A chave masculina conta com dez seleções: Grã-Bretanha, Grécia, Israel, Itália, Montenegro, Polônia, Portugal, Romênia, Rússia e Suécia. Já o torneio feminino reúne seis participantes: Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Hungria e Polônia. Os jogos serão transmitidos pelo canal da IBSA no YouTube (CLIQUE AQUI para acessar o link).

"É uma emoção muito grande voltar para a quadra, ficamos com o coração na mão. A única forma de treinar foi assistindo a jogos, olhando posicionamento, estudando regras. E eu não sou a única, aqui há árbitros que só estão voltando agora também. Vem aquela pontinha de esperança de que vai ficar tudo bem, sabe?", explica Kelly, que é casada com Parazinho, jogador da Seleção Brasileira da modalidade.

Se agora a preocupação está na falta de ritmo de jogo, antes era conseguir chegar até o país nórdico em meio a uma pandemia mundial, como ela detalha: "Por conta desse momento complicado, com variantes do vírus aparecendo, o Brasil tem sido proibido de entrar em muitos países. Outros proíbem até o trânsito de brasileiros em conexão. Então, até acertar tudo, foi bem complicado. Depois de tudo ser definido, tive de fazer vários testes, além de preencher alguns formulários. Na Finlândia, ainda preciso ficar 72 horas em quarentena", relata a brasileira, que chegou a Lathi na segunda-feira.

Resultado à mostra

A escolha do seleto grupo de quem apitará um torneio como esse é feita pelo coordenador internacional de arbitragem da IBSA após os profissionais pleitearem participação. Por isso, duas coisas são importantes: a iniciativa de cada profissional e o trabalho de incentivo realizado pela Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV).

"Quando a gente decidiu enquanto confederação investir na progressão internacional dos árbitros, um dos objetivos era justamente manter a representatividade brasileira nessas competições. Quando assumi a coordenação, em 2012, não só a avaliação constante dos árbitros, mas também a busca por incentivar e trazer propostas de competição internacional junto com clínicas foi exatamente para manter esse fluxo de formação contínuo", explica Carla da Mata, coordenadora de arbitragem da CBDV e uma das referências mundiais no desenvolvimento do goalball.

"A Kelly é muito persistente e estudiosa. Além de dominar bem idiomas, inglês e francês, ela corre atrás pra caramba. Toda vez que a IBSA Goalball abre inscrição para evento internacional, ela manda o nome dela. Foi o mesmo processo que a Liana (Garcia) fez, que eu fiz. É a prova de que esse fluxo contínuo deu certo", afirma a ex-árbitra, que costuma cobrar dos "alunos" também a lição de cada após cada evento lá fora. "Sempre peço a eles que compartilhem as experiências, digam como as regras foram aplicadas na competição. Primeiro, para todos estarem alinhados com os procedimentos. Segundo, porque dessa forma conseguimos refletir nas competições nacionais o que acontece lá fora", conclui.

#Acessibilidade: Carla conversa com a árbitra Fabiana Milioransa na quadra. Ambas vestem roupas pretas e Carla usa óculos de grau de armação preta.


Comunicação CBDV

Renan Cacioli

renancacioli@cbdv.org.br
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